Leituras literárias: escritas e diálogos intermidiáticos

terça-feira, 11 de agosto de 2015


Atividade com alunos do  1°ano do ensino médio noturno, Colégio Theóphilo Sauer.
Acadêmicos bolsistas: Denise Hack, Elisiane Correa, Vanderlei Linden
 Objetivos:
Ø Discutir sobre a questão de como o negro é visto no Brasil.
Ø Conscientizar o aluno da importância da igualdade, minimizando o preconceito.
Ø Trabalhar diferentes gêneros textuais, contendo como abordagem principal, a Afro descendência.
Metodologia:
Ø - Será passado o vídeo da música do cantor Gabriel Pensador                  “Racismo é Burrice”- http://letras.mus.br/gabriel-pensador/137000/
Recursos: 
Ø -Datashow
Ø -Caixa de som (para os alunos poderem ouvir a música);
Ø -Uma folha com a letra da música “Racismo é Burrice” impressa;
Ø - Dicionários;
Etapas da aula:
Será passada a música com o vídeo clip que aborda o racismo como tema principal e os alunos acompanharão a letra na folha xerocada.
A seguir será proposto uma discussão  com a turma indagando-os:
Ø - Qual o tema principal da música?
Ø -O que é Racismo?
Ø -Em quais situações encontramos racismo?
Ø -Você já sofreu algum tipo de preconceito?
Atividade 2:
Os alunos receberão uma cópia com atividades abordando gêneros textuais, como assunto  principal “Racismo” , cada um fará a atividade individual.
O GONDOLEIRO DO AMOR 
Teus olhos são negros, negros,
Como as noites sem luar...
São ardentes, são profundos,
Como o negrume do mar; 

Sobre o barco dos amores,
Da vidaboiando à flor,
Douram teus olhos a fronte
do Gondoleiro do amor. 

Tua voz é a cavatina
Dos palácios de Sorrento,
Quando a praia beija a vaga,
Quando a vaga beija o vento; 

E como em noites deItália,
Ama um canto o pescador,
Bebe a harmonia em teus cantos
O Gondoleiro do amor. 

Teu sorriso é uma aurora,
Que o horizonte enrubesceu,
-Rosa aberta com o biquinho
Das aves rubrasdo céu. 
 
Nas tempestades da vida
Das rajadas no furor,
Foi-se a noite, tem auroras
O Gondoleiro do amor. 

Teu seio é vaga dourada
Ao tíbio clarão da lua,
Que, ao murmúrio das volúpias,
Arqueja, palpita nua; 
 
Como é doce, em pensamento,
Do teu colo no languor
Vogar, naufragar, perder-se
O Gondoleiro do amor!?... 
 
Teu amor na treva é - um astro,
No silêncio uma canção,
Ébrisa - nas calmarias,
É abrigo - no tufão; 

Por isso eu te amo querida,
Quer no prazer, quer na dor...
Rosa! Canto! Sombra! Estrela!
Do Gondoleiro do amor.
                                    Castro Alves
      1)      Do que se trata o poema? Como você chegou nessa conclusão?

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2)      Castro Alves utiliza em seu poema palavras relacionadas ao “afrodescendente”, cite-as:

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3)      Pesquise no dicionário o significado da palavra “Gondoleiro”:

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      4)      Na sua opinião  porque o autor utiliza a expressão “Gondoleiro do amor”?

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 Leia  a poesia a seguir e responda o que se pede:
Negro Soul (poesia de Luiz De Jesus)
"Sou um negro no tronco da demagogia
levando chibatadas de hipocrisia
preso na senzala da indiferença
e transportado no navio da ofensa"
           5)      Qual o assunto tratado na poesia de Luiz de Jesus? Como você chegou nessa conclusão:  ____________________________________________________________________________________________________________________________
           6)      Para Pensar:

Na sua opinião o que o autor quis dizer com “ preso na senzala da Indiferença e transportado no navio da ofensa”?
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      7)      Leia a crônica “Racismo” de Luís Fernando Veríssimo e sublinhe as palavras que denotam racismo:
            Racismo
- Escuta aqui, ó criolo...
- O que foi?
- Você andou dizendo por aí que no Brasil existe racismo.
- E não existe?
- Isso é negrice sua. E eu que sempre te considerei um negro de alma branca... É, não adianta. Negro quando não faz na entrada...
- Mas aqui existe racismo.
- Existe nada. Vocês têm toda a liberdade, têm tudo o que gostam. Têm carnaval, têm futebol, têm melancia... E emprego é o que não falta. Lá em casa, por exemplo, estão precisando de empregada. Pra ser lixeiro, pra abrir buraco, ninguém se habilita. Agora, pra uma cachacinha e um baile estão sempre prontos. Raça de safados! E ainda se queixam!
- Eu insisto, aqui tem racismo.
- Então prova, Beiçola. Prova. Eu alguma vez te virei a cara? Naquela vez que te encontrei conversando com a minha irmã, não te pedi com toda a educação que não aparecesse mais na nossa rua? Hein, tição? Quem apanhou de toda a família foi a minha irmã. Vais dizer que nós temos preconceito contra branco?
- Não, mas...
- Eu expliquei lá em casa que você não fez por mal, que não tinha confundido a menina com alguma empregadoza de cabelo ruim, não, que foi só um engano porque negro é burro mesmo. Fui teu amigão. Isso é racismo?
- Eu sei, mas...
- Onde é que está o racismo, então? Fala, Macaco.
- É que outro dia eu quis entrar de sócio num clube e não me deixaram.
- Bom, mas pera um pouquinho. Aí também já é demais. Vocês não têm clubes de vocês? Vão querer entrar nos nossos também? Pera um pouquinho.
- Mas isso é racismo.
- Racismo coisa nenhuma! Racismo é quando a gente faz diferença entre as pessoas por causa da cor da pele, como nos Estados Unidos. É uma coisa completamente diferente. Nós estamos falando do crioléu começar a frequentar clube de branco, assim sem mais nem menos. Nadar na mesma piscina e tudo.
- Sim, mas...
- Não senhor. Eu, por acaso, quero entrar nos clubes de vocês? Deus me livre.
- Pois é, mas...
- Não, tem paciência. Eu não faço diferença entre negro e branco, pra mim é tudo igual. Agora, eles lá e eu aqui. Quer dizer, há um limite.
- Pois então. O ...
- Você precisa aprender qual é o seu lugar, só isso.
- Mas...
- E digo mais. É por isso que não existe racismo no Brasil. Porque aqui o negro conhece o lugar dele.
- É, mas...
- E enquanto o negro conhecer o lugar dele, nunca vai haver racismo no Brasil.
Está entendendo? Nunca. Aqui existe o diálogo.
- Sim, mas...
- E agora chega, você está ficando impertinente. Bate um samba aí que é isso que tu faz bem.

Luís Fernando Verissimo

 
8)      Dos textos trabalhados, qual você mais gostou? Justifique-se:

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