Leituras literárias: escritas e diálogos intermidiáticos

terça-feira, 28 de novembro de 2017

Palanejamento com alunos do Colégio Theóphilo Sauer – 7ºano - Turma: 173 - Acadêmicos bolsistas: Liana Lamarques, Vanderlei Linden, Vitória Mariah

Data: 09/11/2017
Carga horária: 2 períodos, das 15 às 17h.
Assunto: Apresentar aos alunos o fascículo do LER .
Objetivos:
·         Apresentar aos alunos o gênero jornalístico.
·         Conhecer o funcionamento do Projeto Ler e sua importância em sala de aula.
·         Interpretar o conto “Fafá” da autora prof° Dr° Luciane Maria Wagner Raupp.
·         Expressar por meio de desenhos um fato do conto.
Metodologia: Os professores iniciam falando sobre o Projeto Ler, apresentando o gênero jornalístico. Após solicitam que alguns alunos façam a leitura do conto “Fafá”       em seguida os alunos deverão interpretar o conto e finalizar a atividade com desenhos, ilustrando o conto.
Recursos: Quadro, giz, lápis de cor, canetas coloridas, fascículos do projeto Ler, texto impresso.
Atividades propostas:
Atividade 01: Os professores apresentam aos alunos o funcionamento do Projeto Ler.
Atividades 02: Será lido o conto “Fafá” do último fascículo de 2017.
Atividade 03: Os alunos receberão o fascículo para interpretar o conto.
Responda as questões sobre o texto Fafá:
1)     Algum familiar possui um carro antigo? Qual é o modelo/marca?
2)     O que acontece com um carro quando fica muito velho? Você acha isso certo?
3)    O que poderíamos fazer com um carro grande e velho ao invés de mandá-lo ao ferro-velho?
4)    Questionar os alunos: que apelido vocês dariam a um carro velho? 
5)    Que tipo de carro antigo poderia ter sido apelidado de Fafá?
6)    Que modelo de carro Fafá poderia ser? Justifique sua resposta.
7)     Qual era o ano de fabricação de Fafá? Quantos anos teria a
8)    A partir do que Fafá conta no terceiro parágrafo, qual era a profissão do dono? Por quê?
9)    Fafá conta algo no quarto parágrafo que nos faz concluir sobre uma característica psicológica de seu dono. Qual é? Por quê ? Que tipo de missões de urgência Fafá fazia de madrugada? Por que fazia isso
10) Qual foi o último desejo de Fafá? Faça uma linha do tempo da vida de Fafá e de seu dono.
11) “Os cabelos do meu dono foram ficando da cor da geada”. O que Fafá quer dizer com isso? Explique e desenhe.
12) Desenhe a família do dono de Fafá:

 




 


 

 

Plano de aula - 7º ano do Ensino Fundamental - E.E.E.M.Felipe Marx. Acadêmicas: Daiane Ramos, Ellen M C P Raimundo e Kelly C Alves



Data: 27/11
Carga horária: 2h/aula
Conteúdo: Reescrita de clássicos da literatura infatojuvenil
Objetivos:
- Relembrar histórias clássicas da literatura por meio de atividade de produção textual a fim de desenvolver as habilidades de escrita e ampliar seu conhecimento literário;
- Avaliar as aulas das professoras pibidianas por meio de questionário a fim de expor sua opinião e sugerir melhorias.
Metodologia
·         Motivação: Levar, em uma caixinha, várias citações e poemas curtos, de poetas e personalidades, sobre a importância dos livros e da leitura.
·         Pedir a cada aluno que retire um poema da caixinha e faça a leitura dele para a turma.
·         Os poemas e citações serão os seguintes:
Livros não mudam o mundo,
quem muda o mundo são as pessoas.
Os livros só mudam as pessoas. (Mario Quintana)
O livro traz a vantagem de a gente poder estar só e ao mesmo tempo acompanhado. (Mario Quintana)
A maior aventura de um ser humano é viajar,
E a maior viagem que alguém pode empreender
É para dentro de si mesmo.
E o modo mais emocionante de realizá-la é ler um livro,
Pois um livro revela que a vida é o maior de todos os livros,
Mas é pouco útil para quem não souber ler nas entrelinhas
E descobrir o que as palavras não disseram... (Augusto Cury)
Há aqueles que não podem imaginar o mundo sem pássaros;
Há aqueles que não podem imaginar o mundo sem água;
Ao que me refere, sou incapaz de imaginar um mundo sem livros. (Jorge Luis Borges)
Livros são papéis pintados com tinta.
Estudar é uma coisa em que está indistinta
A distinção entre nada e coisa nenhuma. (Fernando Pessoa)
A leitura de todos os bons livros é uma conversação com as mais honestas pessoas dos séculos passados. (René Descartes)
A leitura é uma fonte inesgotável de prazer, mas por incrível que pareça, a quase totalidade, não sente esta sede. (Carlos Drummond de Andrade)
Meus filhos terão computadores, sim, mas antes terão livros. Sem livros, sem leitura, os nossos filhos serão incapazes de escrever - inclusive a sua própria história. (Bill Gates)
De todos os que preenchem nossa solidão, são os livros os mais anárquicos, os mais instigantes. Leia, e seu silêncio ganhará voz. (Martha Medeiros)
Cresci no meio de livros, fazendo amigos invisíveis em páginas que se desfaziam em pó cujo cheiro ainda conservo nas mãos. (Carlos Ruiz Zafón)
Os livros são o tesouro precioso do mundo e a digna herança das gerações e nações. (Henry David Thoreau)
A leitura de um bom livro é um diálogo incessante: o livro fala e a alma responde. (André Maurois)
O livro é o amigo da solidão, ele alimenta o individualismo liberador. Na leitura solitária, o homem que procura a si mesmo tem alguma oportunidade de se encontrar. (Georges Duhamel)
A leitura é a arma contra a ignorância. (Glauce Leite)
O simples ato da leitura transforma a nossa forma de pensar e enriquece o nosso conhecimento, gerando uma capacidade imensurável de criar o inimaginável. (Thiago Henrique Miranda)
Leitura é a chave para se ter um universo de ideias e uma tempestade de palavras. (Pedro Bom Jesus)
Só quem conhece a magia da leitura pode dizer que sabe realmente ler, porque falar que sabe ler apenas por ter aprendido é como comer apenas para ficar vivo. (Joakim Antonio)
Não leia! A leitura gera o conhecimento, o conhecimento gera o pensamento e este gera o questionamento. Ler torna o cidadão criador de ideias revolucionárias propenso a mudar a realidade a sua volta. Então, não leia! O Governo não quer cidadãos que pensem. (Marcela Menezes)
A leitura é a viagem de quem não pode pegar um trem. (Francis de Croisset)
Os verdadeiros analfabetos são os que aprenderam a ler e não lêem. (Mario Quintana)

  • Retomar a atividade da aula anterior, com a reescrita de clássicos da literatura pelos alunos.
  • Finalizada a escrita dos textos nas folhas personalizadas com as capas dos livros, fazer um “amigo secreto” para que os alunos troquem as histórias entre si.
  • Entregar aos alunos uma folha com questões referentes às aulas do ano que se encerra.
1.      Você gostou de ter aulas com as professoras do Pibid? Por quê?
2.      Quais atividades você mais gostou de realizar durante as aulas?
3.      Você aprendeu coisas novas? Quais?
4.      Você acredita que as aulas contribuíram para aumentar sua criatividade na produção de textos? Comente.

5.      Cite atividades que você gostaria de ter realizado ao longo das aulas.

6.      Você passará a ler mais a partir do incentivo dado pelas professoras?

7.      Deixe um recado para as professoras.


·         Encerrar a aula despedindo-se dos alunos e entregando-lhes alguns chocolates.

sábado, 25 de novembro de 2017

Crônica - Plano de aula - 1° ano do Ensino Médio - Colégio Theóphilo Sauer - Acadêmicos Alessandra Ribeiro de Oliveira, Andressa Fernanda Oliveira Strutzki e Vicente Orsi Vargas

Data da aula: 22/11/2017
Duração: duas horas-aula.
Ano: 1º ano do ensino médio.

Objetivo: Reconhecer as propriedades do conteúdo sobre o gênero crônica através do jogo autódromo e aprimorar o hábito de leitura através da interpretação de texto: Eu Sei, Mas Não Devia Marina Colasanti. 
 
Duração: 2 períodos

1º momento:
Os professores organizarão a turma em duplas para seguinte atividade:

Autódromo
As duplas ganharão uma tabela com vinte afirmações para marcarem V ou F:
Perguntas do jogo:

Marque V (Verdadeiro) ou F (Falso) baseado na teoria do gênero Crônica:  

1)  (   ) Texto longo e de linguagem complexa, com muitos personagens.  
2)  (   ) Texto curto e de linguagem simples, o que o torna ainda mais próximo de todo tipo de leitor e de praticamente todas as faixas etárias.
3)  (   ) A sátira, a ironia, o uso da linguagem coloquial demonstrada na fala das personagens, a exposição dos sentimentos e a reflexão sobre o que se passa estão presentes nas crônicas.
4)  (   ) A crônica é um texto sério que não usa ironias, nem comédia, pois é normalmente publicada em jornais.  
5)  (   ) A crônica é um gênero híbrido que oscila entre a literatura e o jornalismo, resultado da visão pessoal, particular, subjetiva do cronista ante um fato qualquer, colhido no noticiário do jornal ou no cotidiano.
6)  (   ) Crônicas, frequentemente, descrevem fatos da vida cotidiana.
7)  (   ) No crônica, as ações transcorrem num tempo maior: dias, meses, até anos, o que não se dá na crônica, que procura captar um lance curioso, um momento interessante, triste ou alegre.  
8)  (   ) A palavra crônica possui origem grega, derivada de “chronos” (tempo) e, por essa razão, uma de suas maiores características é o caráter contemporâneo, sendo muito relacionada com a ideia de tempo e relatando os fatos cotidianos de seu registro numa linguagem conotativa e literária.
9)  (   ) A palavra crônica é de origem latina e significa conto. 
10) (   ) A crônica é uma narração curta, feita especialmente para a veiculação na imprensa, em jornais ou revistas – primordialmente em jornais.
11) (   ) É um texto subjetivo, pois apresenta a perspectiva do seu autor, o tom do discurso varia entre o ligeiro e o polêmico, podendo ser irônico ou humorístico.
12) (   ) O narrador-observador conta a história do lado de fora, na 3ª pessoa, sem participar das ações. Ele conhece todos os fatos e, por não participar deles, narra com certa neutralidade, apresenta os fatos e os personagens com imparcialidade. Não tem conhecimento íntimo dos personagens nem das ações vivenciadas.
13) (   ) O narrador-onisciente conta a história em 3ª pessoa e, às vezes, permite certas intromissões narrando em 1ª pessoa. Ele conhece tudo sobre os personagens e sobre o enredo, sabe o que passa no íntimo das personagens, conhece suas emoções e pensamentos. 
14) (   ) O narrador-personagem conta na 1ª pessoa a história da qual participa também como personagem.
15) (   ) A narração não é um tipo de texto que conta sequência de fatos.    
16) (   ) O texto narrativo baseia-se na ação que envolve os personagens, tempo, espaço e conflito.  
17) (   ) Na narrativa, o narrador é responsável por contar a história, criando um texto que flui no imaginário do leitor com a composição de tramas e a elaboração de personagens.  
18) (   ) O texto narrativo apresenta uma certa estrutura, composta pela apresentação, complicação, clímax e desfecho.  
19) (   ) O texto narrativo é aquele que conta somente fatos reais. 
20) (   ) Os elementos que compõe a narrativa são o foco narrativo (1° e 3° pessoa), as personagens (protagonista, antagonista e coadjuvante), narrador (narrador-personagem, narrador-observador), tempo (cronológico e psicológico) e espaço.  

As afirmações serão ditadas pelos professores (sobre o assunto até então estudado - gênero crônica), e os alunos irão marcar em seu cartão de respostas a verdadeiro ou falso.

2º momento: já respondidas as questões, as duplas trocarão seu cartão de respostas com a dupla ao lado, para realizarmos a correção todos juntos. 

3º momento: os cartões respostas serão devolvidos, para que os alunos possam verificar suas respostas.

4º momento:  leitura da seguinte crônica:

Eu sei, mas não devia  - Marina Colasanti

Eu sei que a gente se acostuma... Mas não devia, A gente se acostuma a morar em apartamento de fundos. E não ter outra vista que não as janelas ao redor. E, porque não tem vista, logo se acostuma a não olhar para fora. E porque não olha para fora logo se acostuma a não abrir de todo as cortinas. E porque não abre as cortinas, logo se acostuma a acender mais cedo a luz. E à medida que se acostuma, esquece o sol, o ar e a amplidão. A gente se acostuma a acordar de manhã sobressaltado porque está na hora. A tomar o café correndo porque está atrasado. A ler o jornal no ônibus porque não pode perder tempo de viagem... A cochilar no ônibus porque está cansado. A deitar cedo e dormir pesado sem ter vivido o dia... A gente se acostuma a esperar o dia inteiro e ouvir ao telefone: "Hoje não posso ir". A sorrir para as pessoas sem receber um sorriso de volta. A ser ignorado quando precisava ser visto... A gente se acostuma à poluição: às salas fechadas de ar condicionado e cheiro de cigarro; à luz artificial de ligeiro tremor; ao choque que os olhos levam na luz natural; às bactérias da água potável; à contaminação da água do mar; à lenta morte dos rios. Se acostuma a não ouvir os passarinhos; a não ter galo de madrugada; a temer a hidrofobia, os cães; a não colher fruto no pé; a não ter sequer uma planta. A gente se acostuma a pagar por tudo o que deve e de que necessita. A lutar por ganhar o dinheiro com que paga e pagar mais do que as coisas valem. E a saber que cada vez pagará mais. E a procurar mais trabalho para ganhar mais dinheiro para ter com que pagar nas filas em que se cobra. A gente se acostuma... A ser instigado, conduzido, desnorteado, lançado na infindável catarata dos produtos. A gente se acostuma a coisas demais para não sofrer. Em doses pequenas, tentando não perceber, vai afastando uma dor aqui, um ressentimento ali, uma revolta acolá. A gente se acostuma para poupar a vida, que aos poucos se gasta e que se gasta de tanto acostumar, se perde de si mesma...

6º momento: Atividades de interpretação do texto:

1) Qual tipo de narrador encontrado no texto?
2) A crônica apresenta uma questão relacionada ao cotidiano do homem urbano na atualidade. Que situações, acontecimentos e atitudes apontados no texto, no seu entender, a maioria das pessoas se habitua a ver sem refletir sobre elas?
3) Em sua opinião, por quer a maioria das pessoas acostuma-se a agir assim?
4) Com o que você já se acostumou? Como você poderia mudar esse costume?
5) No quinto parágrafo, faz-se referência a comportamentos que fazem parte da rotina das pessoas. Que fatores justificam esses comportamentos, segundo ela?

terça-feira, 21 de novembro de 2017

Plano de aula - 7º ano do Ensino Fundamental - E.E.E.M.Felipe Marx. Acadêmicas: Daiane Ramos, Ellen M C P Raimundo e Kelly C Alves



Data: 20/11
Carga horária: 2h/aula
Conteúdo: Conto Felicidade clandestina/ Leitura, interpretação e escrita
Objetivos:
- Compreender a importância dos livros por meio de técnica de motivação a fim de despertar o interesse pela leitura;
- Relembrar histórias clássicas da literatura por meio de atividade de produção textual a fim de desenvolver as habilidades de escrita e ampliar seu conhecimento literário.
Metodologia
·         Motivação:
·         As professoras levarão para a aula um livro de que gostem bastante.
·         Cada uma delas mostrará o seu livro à turma, falando o porquê de gostarem tanto dele.
·         Após, entregar aos alunos uma tira de papel e pedir a eles que escrevam nela o nome do seu livro preferido.
·         Em seguida, recolher esses papeis e colocá-los em uma caixinha.
·         Retirar as tiras de papel, aleatoriamente, e pedir ao aluno que a escreveu para falar à turma o porquê da escolha do livro. Fazer isso sucessivamente, até todos os alunos terem falado.

·         Pré-leitura: Fazer alguns questionamentos à turma:
- Você acredita que os livros são importantes para a nossa formação como ser humano?
- Você costuma emprestar livros aos seus amigos ou pedir emprestado a eles?
- O que você acharia de uma pessoa que não aceita emprestar seus livros?

·         Leitura e descoberta: Fazer a leitura coletiva do conto Felicidade clandestina, de Clarice Lispector.

FELICIDADE CLANDESTINA – Clarice Lispector
Ela era gorda, baixa, sardenta e de cabelos excessivamente crespos, meio arruivados. Tinha um busto enorme, enquanto nós todas ainda éramos achatadas. Como se não bastasse enchia os dois bolsos da blusa, por cima do busto, com balas. Mas possuía o que qualquer criança devoradora de histórias gostaria de ter: um pai dono de livraria.
Pouco aproveitava. E nós menos ainda: até para aniversário, em vez de pelo menos um livrinho barato, ela nos entregava em mãos um cartão-postal da loja do pai. Ainda por cima era de paisagem do Recife mesmo, onde morávamos, com suas pontes mais do que vistas. Atrás escrevia com letra bordadíssima palavras como “data natalícia” e “saudade”.
Mas que talento tinha para a crueldade. Ela toda era pura vingança, chupando balas com barulho. Como essa menina devia nos odiar, nós que éramos imperdoavelmente bonitinhas, esguias, altinhas, de cabelos livres. Comigo exerceu com calma ferocidade o seu sadismo. Na minha ânsia de ler, eu nem notava as humilhações a que ela me submetia: continuava a implorar-lhe emprestados os livros que ela não lia.
Até que veio para ela o magno dia de começar a exercer sobre mim uma tortura chinesa. Como casualmente, informou-me que possuía. As reinações de Narizinho, de Monteiro Lobato.
Era um livro grosso, meu Deus, era um livro para se ficar vivendo com ele, comendo-o, dormindo-o. E completamente acima de minhas posses. Disse-me que eu passasse pela sua casa no dia seguinte e que ela o emprestaria.
Até o dia seguinte eu me transformei na própria esperança da alegria: eu não vivia, eu nadava devagar num mar suave, as ondas me levavam e me traziam.
No dia seguinte fui à sua casa, literalmente correndo. Ela não morava num sobrado como eu, e sim numa casa. Não me mandou entrar. Olhando bem para meus olhos, disse-me que havia emprestado o livro a outra menina, e que eu voltasse no dia seguinte para buscá-lo. Boquiaberta, saí devagar, mas em breve a esperança de novo me tomava toda e eu recomeçava na rua a andar pulando, que era o meu modo estranho de andar pelas ruas de Recife. Dessa vez nem caí: guiava-me a promessa do livro, o dia seguinte viria, os dias seguintes seriam mais tarde a minha vida inteira, o amor pelo mundo me esperava, andei pulando pelas ruas como sempre e não caí nenhuma vez.
Mas não ficou simplesmente nisso. O plano secreto da filha do dono de livraria era tranqüilo e diabólico. No dia seguinte lá estava eu à porta de sua casa, com um sorriso e o coração batendo. Para ouvir a resposta calma: o livro ainda não estava em seu poder, que eu voltasse no dia seguinte. Mal sabia eu como mais tarde, no decorrer da vida, o drama do “dia seguinte” com ela ia se repetir com meu coração batendo.
E assim continuou. Quanto tempo? Não sei. Ela sabia que era tempo indefinido, enquanto o fel não escorresse todo de seu corpo grosso. Eu já começara a adivinhar que ela me escolhera para eu sofrer, às vezes adivinho. Mas, adivinhando mesmo, às vezes aceito: como se quem quer me fazer sofrer esteja precisando danadamente que eu sofra.
Quanto tempo? Eu ia diariamente à sua casa, sem faltar um dia sequer. Às vezes ela dizia: pois o livro esteve comigo ontem de tarde, mas você só veio de manhã, de modo que o emprestei a outra menina. E eu, que não era dada a olheiras, sentia as olheiras se cavando sob os meus olhos espantados.
Até que um dia, quando eu estava à porta de sua casa, ouvindo humilde e silenciosa a sua recusa, apareceu sua mãe. Ela devia estar estranhando a aparição muda e diária daquela menina à porta de sua casa. Pediu explicações a nós duas. Houve uma confusão silenciosa, entrecortada de palavras pouco elucidativas. A senhora achava cada vez mais estranho o fato de não estar entendendo. Até que essa mãe boa entendeu. Voltou-se para a filha e com enorme surpresa exclamou: mas este livro nunca saiu daqui de casa e você nem quis ler!
E o pior para essa mulher não era a descoberta do que acontecia. Devia ser a descoberta horrorizada da filha que tinha. Ela nos espiava em silêncio: a potência de perversidade de sua filha desconhecida e a menina loura em pé à porta, exausta, ao vento das ruas de Recife. Foi então que, finalmente se refazendo, disse firme e calma para a filha: você vai emprestar o livro agora mesmo. E para mim: “E você fica com o livro por quanto tempo quiser.” Entendem? Valia mais do que me dar o livro: pelo tempo que eu quisesse ” é tudo o que uma pessoa, grande ou pequena, pode ter a ousadia de querer.
Como contar o que se seguiu? Eu estava estonteada, e assim recebi o livro na mão. Acho que eu não disse nada. Peguei o livro. Não, não saí pulando como sempre. Saí andando bem devagar. Sei que segurava o livro grosso com as duas mãos, comprimindo-o contra o peito. Quanto tempo levei até chegar em casa, também pouco importa. Meu peito estava quente, meu coração pensativo.
Chegando em casa, não comecei a ler. Fingia que não o tinha, só para depois ter o susto de o ter. Horas depois abri-o, li algumas linhas maravilhosas, fechei-o de novo, fui passear pela casa, adiei ainda mais indo comer pão com manteiga, fingi que não sabia onde guardara o livro, achava-o, abria-o por alguns instantes. Criava as mais falsas dificuldades para aquela coisa clandestina que era a felicidade. A felicidade sempre iria ser clandestina para mim. Parece que eu já pressentia. Como demorei! Eu vivia no ar… havia orgulho e pudor em mim. Eu era uma rainha delicada.
Às vezes sentava-me na rede, balançando-me com o livro aberto no colo, sem tocá-lo, em êxtase puríssimo.
Não era mais uma menina com um livro: era uma mulher com o seu amante.


  • Discutir o texto oralmente com a turma.

·         Pós-leitura: Expor para os alunos várias capas de livros clássicos da literatura infantojuvenil, impressas em folhas A4.
Os livros escolhidos serão os seguintes: Peter Pan; O mágico de Oz; Alice no país das maravilhas; A bela e a fera; O patinho feio; Branca de Neve; A bela adormecida; João e o pé de feijão; Chapeuzinho vermelho; O gato de botas; João e Maria; Rapunzel; Aladim e a lâmpada mágica; Cinderela; Os três porquinhos; O lobo e os sete cabritinhos; O pequeno polegar; A pequena sereia; Pinóquio.

Pedir aos alunos que escolham uma capa e escrevam no seu caderno a história referente a ela.
Para auxiliá-los e ajudá-los a relembrarem as histórias, levar exemplares de versões desses livros infantis e deixar à disposição.
Após a escrita no caderno e a correção das professoras, pedir que reescrevam no verso da folha A4 para presentearem um colega na aula seguinte, por meio de um “amigo secreto”.